O Projeto de Vida e Educomunicação Digital chega à sua terceira edição com a participação de 73 estudantes da Escola Municipal Normélio Moura, de Dias d’Ávila, e do Centro Educacional Reitor Edgard Santos Ceres, de Camaçari. Promovida pelo Cofic, em parceria com as secretarias de Educação dos dois municípios, a iniciativa busca fortalecer as identidades juvenis e orientar os alunos sobre como construir seus projetos pessoais, sobre o mundo do trabalho e como atuar de forma crítica e criativa no ambiente digital. Conduzido pela Cipó Comunicação Interativa, o projeto tem seu plano para 2026 detalhado nesta entrevista pela gestora Fernanda Colaço.
Quando começou e quando finaliza o projeto este ano?
Fernanda Colaço - O projeto começou com a primeira formação, a primeira oficina presencial, no dia 8 de maio, e a última vai acontecer na primeira semana de dezembro.
Qual o diferencial do projeto este ano?
FC- Este é o terceiro ano de edição do Projeto de Vida Educomunicação. Nós continuamos com algumas atividades estratégicas para o alcance do objetivo do projeto, na perspectiva de formação com os estudantes sobre o projeto de vida e também na formação com a metodologia de educomunicação. Este ano, continuamos com as oficinas presenciais, que são quinzenais. Como novidade, ampliamos o tempo de formação: a oficina deste ano tem três horas e meia de duração.
Como a nossa metodologia de educomunicação é muito “mão na massa” e tem sempre como objetivo produzir peças de comunicação, sejam elas digitais ou offline (mais materiais), já observamos bons resultados com o aumento de duração das oficinas. Em um dia de formação, conseguimos produzir o que a gente chama de “lambe”, que é um grande painel de colagem de imagens, com um pouco da identidade das duas turmas.
O que continua no projeto?
FC- É importante salientar o que estamos mantendo na terceira edição do projeto, que são as formações presenciais a cada 15 dias e também a formação com acompanhamento remoto de todo o trabalho, assim como a culminância com uma mostra de comunicação no formato digital, que deve acontecer na última semana de novembro. Vamos manter também a formação para os professores, coordenadores pedagógicos e gestão na perspectiva da educação e das novas mídias, novas tecnologias, como ferramentas no universo do processo de ensino e aprendizagem nas escolas públicas municipais de Camaçari e Dias D´Ávila, com a participação do professor Nelson Pretto, da Faculdade de Educação da Ufba.
Qual a programação para os próximos meses?
FC- Em julho e agosto, nós vamos intensificar a formação com os estudantes, tanto na perspectiva remota como presencial, focando no projeto de vida. Em setembro, teremos a formação remota para professores, nosso terceiro webinário, para falar sobre inovação e novas tecnologias no processo de ensino e aprendizagem. Em outubro, vamos começar a fechar a formação para iniciar a montagem e produção da Mostra de Comunicação, que vai ser digital.
Quem são os novos educomunicadores que estão atuando no projeto este ano?
FC - Este ano temos dois novos educomunicadores da Cipó no projeto, que mantêm a metodologia da educomunicação e estão trazendo um pouco da suas experiências no campo da poesia e da escrita. Certamente, ao final, as peças de comunicação dos estudantes deverão refletir um exercício maior dessa escrita criativa. Assim eles se apresentaram aos estudantes, ao darem exemplo de como construir uma mini bio:
“Juliana Sapho - bacharela em comunicação social há 17 anos, jornalista, escritora, poetisa, é uma amante das palavras, da leitura e da escrita. uma mulher que escreve as próprias linhas, alinhavando um coração que não se cansa. mesmo em um mundo cinzento e concreto, insiste em sentir profundamente a vida, com coragem, gentileza, sensibilidade e poesia. vez ou outra, @eumesapho”.
¨Pedro Magalhães - formado em Letras, é professor de Português e dá oficinas com foco em Direitos Humanos. Nasceu em Ilhéus, mas cresceu em Salvador. Gosta de bater papo, desenhar, praticar exercícios e repor calorias comendo”.
Qual a contribuição do projeto para os estudantes?
FC - A primeira contribuição é a formação: colocar esses estudantes para pensar nos seus projetos de vida. Ao pensar sobre seus projetos de vidas, eles também são convidados a pensar na sua perspectiva identitária, na sua relação com a família, com a escola, com a comunidade, a relação com seus direitos conquistados ou negados pelo Estado. E como cada uma dessas dimensões vai atrasando o que se pretende como perspectiva futura para a realização dos seus projetos.
Então, agregamos a isso a capacidade e o exercício de produção de peças de comunicação. Ao trabalhar com eles com algumas linguagens, como produção de vídeos, fotos, produção de podcasts, assim como cartazes, vamos mostrando habilidades que eles podem agregar para seus próprios projetos de vida. Importante também considerar a perspectiva de participação desses estudantes que, ao final do projeto, geralmente se engajam em atividades junto à escola. Fomentar a participação juvenil também é uma contribuição para o universo das próprias escolas.
Ainda para salientar o aspecto da formação para além das dimensões, como família, escola e seus direitos, também trazemos a dimensão desses adolescentes já pensando no mundo do trabalho. Acreditamos que a formação, mas também as habilidades no campo da comunicação, podem agregar nas suas inserções no mercado de trabalho. É importante quando eles conseguem perceber as suas habilidades e as suas competências e como o mundo digital e a forma como eles estão inseridos podem colaborar na inserção deles no mundo do trabalho.
Qual o total de estudantes atendidos nos três anos do projeto?
FC- Nesses três anos, temos uma média de 220 estudantes participando da formação diretamente conosco. E mais cerca de 100 estudantes indiretamente, pois quando desenvolvemos nossas peças de comunicação elas são disseminadas nas escolas com uma média de 350 estudantes envolvidos no projeto.
Ao todo, nesses três anos, trabalhamos com 27 escolas, considerando que, no primeiro ano do projeto, foram 25 escolas de Camaçari. Depois o formato mudou e, em 2025 e 2026, passamos a trabalhar somente com uma escola em Camaçari e uma de Dias d’Ávila.