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Workshop sobre Riscos no Trabalho destaca a cultura do cuidado para trabalhadores

O papel das lideranças na promoção de ambientes de trabalho saudáveis foi o ponto central da palestra inaugural do Workshop de Riscos Psicossociais no Trabalho (5 de novembro), conduzida por Carlos Alfano, diretor industrial da Braskem e presidente do Cofic. O evento reuniu especialistas da Fundacentro, da Universidade Estadual de Feira de Santana e de empresas do Polo de Camaçari para discutir práticas de prevenção, cultura de cuidado e transformação organizacional. Mais de 100 profissionais participaram do encontro, que apresentou a NS Cofic 0042, norma orientativa para avaliação de fatores psicossociais nas empresas.

“Este workshop é mais um passo que o Cofic está dando na trilha da saúde dos colaboradores do Polo Industrial de Camaçari” afirma Charles Andrade, médico do Trabalho da Continental e um dos coordenadores do GT organizador do evento. Ele explicou que “foi criado um GT colaborativo que elaborou a norma orientativa e estabeleceu colaboração com a Prefeitura Municipal de Camaçari quanto aos fluxos de atendimento a casos de urgência em saúde mental”, ressaltando que este evento se apresentou como “um espaço seguro para debater e trazer o tema para a luz, além de desmistificar conceitos e indicar a direção a seguir quanto a mapear riscos de forma estruturada nas empresas”.

Durante o workshop, os representantes do GT de Saúde do Trabalhador do Cofic destacaram a relevância da criação da NS Cofic 0042 — documento orientativo sobre a avaliação de fatores psicossociais individuais nas empresas — e como essa iniciativa pode contribuir para os cuidados em saúde mental. A norma, apresentada por Charles Andrade (Continental), Kamyla Vieira (Braskem) e pela psicóloga Loise dos Santos (consultora), orienta as empresas na identificação precoce de fatores psicossociais e na adoção de medidas contínuas de monitoramento.

“A NS Cofic 0042 contribui nesse processo, pois serve como uma referência para identificar sinais precoces que, muitas vezes, surgem na área médica e pode transformar esses dados em indicadores concretos, permitindo que a empresa faça ajustes mais assertivos, afirma Eva Cruz, Fisioterapeuta do Trabalho e Ergonomista da Prisma e uma das coordenadoras do GT organizador do evento. Segundo ela, essa norma dialoga com o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) que recomenda que os fatores psicossociais sejam tratados por meio da Análise Ergonômica Preliminar - AEP, evidenciando a relação entre os aspectos psicossociais e a organização do trabalho.

Como resultado, os organizadores esperam que o workshop amplie o entendimento sobre como identificar e gerenciar riscos psicossociais no dia a dia das empresas, estimulando “práticas preventivas alinhadas ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e ao guia do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)”, destaca Eva Cruz, informando que “para que esse processo funcione de forma eficaz, é fundamental contar com o envolvimento da liderança e com um RH presente e atuante”.

O próximo passo, segundo Charles Andrade, “será cada empresa atuar internamente nas suas realidades”, destacando também que este “é um tema delicado e é necessário que a alta gestão esteja atenta e seja apoiadora de iniciativas de enfrentamento adequado”. Como exemplos, ele citou as ações da Continental no Polo de Camaçari: política de flexibilidade, programas de acolhimento psicológico e social, treinamento de lideranças, rodas terapêuticas, programa de parentalidade e monitoramento de clima organizacional.

As palestras também abordaram o embasamento técnico e legal sobre o tema. Juliana Andrade Oliveira, da Fundacentro, tratou da evolução das normas e leis sobre riscos psicossociais. André Luis Virgulino, da Braskem e coordenador do GT de Higiene Ocupacional do Cofic, explicou a integração entre a NR01, a NR17 e o guia do MTE. Já Tarcísio Palma, doutor e mestre da Universidade Estadual de Feira de Santana, apresentou dados e métodos para transformar indicadores epidemiológicos em estratégias de prevenção.

O consenso final dos palestrantes e participantes foi de que não há fórmulas prontas: “Gerenciar riscos psicossociais é um trabalho coletivo, feito por muitas mãos e olhares. É sobre cuidado integral e planejamento consciente — pensar no todo é o caminho para transformar”, concluiu Ana Carla, enfermeira da Braskem.

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